Complicações da Diabetes Mellitus

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Complicações infecciosas
As infecções ocorrem frequentemente no doente diabético e a coexistência de uma infecção/diabetes implica um controlo rigoroso de ambas. Para além de serem mais frequentes, os fenómenos de cicatrização associados também são demorados, devido essencialmente a uma fraca irrigação sanguínea como consequência da arteriopatia existente.

– Infecções do tracto urinário – apresentam uma frequência bastante elevada, nomeadamente na mulher diabética. A etiologia inclui bactérias Gram – bem como Staphylococcus, Streptococcus e fungos.
– Celulites (tecido celular subcutâneo) – por Streptococcus ou Staphylococcus aureus, ocorrem igualmente com frequência, principalmente em extremidades com-prometidas por neuropatia ou insuficiência vascular.
– Infecção da pele – as mais comuns são:

  • piodermites
  • abcessos
  • antrazes

– Pé do diabético – complicação bastante grave nó doente diabético, onde as consequências da angiopatia se juntam às da neuropatia e em que um processo infeccioso pode vir a agravar a situação.

Angiopatia diabetica
Angiopatia diabética define-se como sendo um conjunto de alterações patológicas dos vasos arteriais do diabético. Dependendo do calibre do vaso, ela poderá ser subdividida em:

  • microangiopatia
  • macroangiopatia

Microangiopatia
A microangiopatia apresenta como alteração anatomopatológica o espessamento da membrana basal dos vasos, nomeadamente arteríolas e vénulas. Localiza-se essencialmente:

  • rim – nefropatia diabética
  • retina – retinopatia diabética
  • pele – dermopatia diabética

Macroangiopatia
A macroangiopatia traduz alterações anatomopatológicas ao nível dos vasos arteriais de maior calibre: artérias cerebrais, aorta, coronárias e artérias dos membros inferiores, principalmente. De entre as lesões anatomopatológicas que exibem, a mais importante é a aterosclerose. A grande incidência e gravidade da aterosclerose na Diabetes é bem conhecida; três territórios são, como já referimos, afectados electivamente:

  • artérias coronárias
  • artérias cerebrais
  • vasos dos membros inferiores

As lesões da arteriopatia diabética dos membros inferiores atingem, habitualmente, vários segmentos vasculares, estando as artérias de pequeno calibre sempre lesadas, o que explica, de certa forma, a frequência das necroses distais. Dois factores principais são responsáveis pelas lesões de aterosclerose:

  • a hiperglicémia
  • distúrbios lipídicos plasmáticos associados

A elevação da taxa de glucose sanguínea, em particular quando permanente, desempenha um papel importante na constituição e evolução das lesões vasculares. Com efeito, a hiperglicémia é nefasta para os endotélios, onde produz perturbaçoes osmolares mais ou menos intensas. Por outro lado, a hiperglicémia persistente leva à formação de glicoproteínas específicas que, desta forma, estão na base do espessamento da membrana basal dos vasos; para além destas glicoproteínas poderemos encontrar igualmente colagénio. As lesões ateroscleróticas que se verificam num doente diabético são semelhantes às encontradas nos doentes não-diabéticos, aparecendo, no entanto, de uma forma mais frequente, rápida e grave. De salientar que, ao mesmo tempo que aparecem estas alterações vasculares e neurológicas, aumentam as dificuldades de irradiação das infecções bacterianas, juntamente com uma falta de irrigação da zona afectada. Associada de forma íntima com a aterosclerose encontra-se a doença coronária. A incidência e prevalência das manifestações maiores da doença coronária -angina de peito, enfarte, morte súbita – estão aumentadas em doentes com DM. A prevalência da doença coronária isquémica (DCI) nos doentes diabéticos apresenta uma incidência maior no sexo masculino, aumentando com a idade. A incidência da DCI é duas a três vezes superior entre os diabéticos, sendo o risco absoluto maior nos indivíduos em que a doença cardíaca foi diagnosticada na juventude. Os aci-dentes agudos são sempre mais graves nos doentes diabéticos, comparativamente à população normal. Outro aspecto importante refere-se ao facto do risco de doença vascular periférica da DM aumentar com a idade. Na maioria dos estudos efectuados, a gangrena e a amputação são raras em doentes com idade inferior a 40 anos, verificando-se uma idade média de 60 anos para a sua maior incidência . As calcificações vasculares são igualmente influenciadas pela idade, bem como pelo tempo de evolução da doença. A DM é igualmente um factor de risco para o acidente vascular cerebral, na medida em que a hipertensão arterial, aterosclerose e dislipidémias são mais frequentes e precoces no doente diabético . De facto, as hiperlipoproteinémias são alterações comuns, tanto nos diabéticos como nos não-diabéticos. Caracterizam-se por um descontrolo subjacente do metabolismo lipídico, originando desta forma, um aumento dos triglicéridos, colesterol plasmático ou de ambos. Sem dúvida que podemos considerar a aterosclerose acelerada como a consequência mais importante deste metabolismo lipídico anormal, que se manifesta por um aumento do risco de doença arterial coronária, insuficiência cardíaca e morte súbita .

Podemos resumir a tradução clínica da macroangiopatia da seguinte forma:

  • coronariopatia (arteriopatia das coronárias) com isquémia, angina de peito ou enfarte do miocárdio;
  • arteriopatia diabética dos membros inferiores, que se traduz por insuficiência vascular crónica;
  • arteriopatia vascular com diversas manifestações clínicas:

– «esclerose» cerebral;

– acidentes isquémicos transitórios;

– acidentes vasculares cerebrais.

As lesões de microangiopatia diabética são geralmente consideradas como específicas da DM. Na prática, apresentam-se essencialmente sob a forma de retinopatia e nefropatia diabéticas.

Retinopatia Diabética
A retinopatia diabética é um dos problemas oftalmológicos mais importantes e graves do doente diabético . Pode considerar-se que cerca de 50% dos doentes com DM apresentam um quadro de retinopatia e que, de entre estes, cerca de 2% irão ficar com cegueira total. A sua evolução é gradual. Numa primeira fase, verifica-se a existência de pequenas dilatações dos vasos retinianos, designadas como microaneurismas. Com a evolução do processo, pode mesmo verificar-se o aparecimento de processos hemorrágicos e exsudativos, com diminuição da acuidade visual. Nesta fase da doença, ainda é possível o seu tratamento através de fotocoagulação. No seu estádio final, verifica-se uma maior incidência de hemorragias e de neoformações vasculares — formação de novos vasos, com uma estrutura frágil e irregular. Para além da proliferação vascular, pode ainda verificar-se o aumento dos elementos do tecido conjuntivo na superfície da retina ou dentro do humor vítreo, originando uma tracção da retina, distorção macular e consequente deslocamento da retina . A retinopatia diabética pode preceder os sinais de evidência clínica de alteração do metabolismo dos hidratos de carbono mas, quase invariavelmente, está associada à DM declarada e de longa duração . A sua incidência aumenta com a idade e com o tempo de evolução da doença. É considerada como a primeira manifestação clínica da microangiopatia uma vez que, enquanto que a nefropatia é sempre acompanhada de retinopatia, o contrário não se verifica. Os distúrbios oculares podem ser os únicos sintomas da doença que se manifestam prontamente.

 

 

 

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